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Golodomor – Genocídio na Ucrânia

Quinta-feira, Dezembro 2, 2010

Em Dezembro de 1922 foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e, a parte leste da Ucrânia, que na época se autodenominava República Socialista Soviética Ucraniana, foi anexada ao grande bloco de nações comunistas. No início da URSS a Ucrânia viu sua cultura florescer devido à política de nacionalidades soviéticas.

No início da década de 30, Stálin decidiu aplicar um novo planejamento para o campo, baseado em metas de colheita de acordo com a região. Fora determinado que o camponês poderia colher para si e seus familiares apenas quando as metas, que beiravam ao impossível, fossem batidas. O ditador desejava abastecer as cidades e as forças armadas e também exportar com o objetivo de acelerar a industrialização soviética com a receita das vendas para o estrangeiro. As maiores metas de colheita eram determinadas à Ucrânia, que era um dos maiores produtores de grãos de toda a Europa.

A situação se agravou rapidamente. As metas eram raramente alcançadas e a fome se instalou na zona rural da URSS. O êxodo rural deixava o campo com cada vez menos capacidade de produzir e mais demanda por produção nas cidades. Os camponeses eram obrigados a desviar das colheitas e esconderem grãos para poderem se alimentar. Comer virou uma atividade clandestina.

Já em 1931, o plano para a zona rural começou a se mostrar ineficiente. As metas para colheita eram frustradas em todas as regiões, e Stálin pressionava a Ucrânia para produzir por si e pelos outros. Mesmo com uma produção abaixo do esperado, em 1932 Stálin exigiu uma produção maior ainda. A Ucrânia deveria contribuir com 7 milhões de toneladas de grãos.

Foi inevitável o surgimento de conflitos entre camponeses e oficiais do estado soviético. Por conta das tensões, a produção estava muito aquém do esperado, o que provocou a irritação de Stálin. O ditador comunista acreditava que contra-revolucionários e nacionalistas estavam por trás da pouca eficiência dos ucranianos nas fazendas coletivas. Como forma de punição, e usando como pretexto a intenção de acelerar as colheitas, a polícia secreta foi enviada para investigar os supostos perturbadores do plano rural. As brigadas tentavam localizar alimentos escondidos e pessoas se alimentando. Foi proibida a saída de ucranianos da Ucrânia e, mais tarde, de camponeses das plantações estatais. Uma cota de 10.000 ucranianos executados por dia foi estabelecia. Durante o inverno de 1932-1933, 25.000 de pessoas morriam por dia. Estima-se que entra 7 e 10 milhões de uncranianos morreram de fome.

Nos dias de hoje a Rússia, herdeira da extinta URSS, teme um reconhecimento formal do genocídio na Ucrânia. Uma indenização que a Rússia pagaria à Ucrânia por esse episódio abriria precedentes para outros países reclamassem indenizações. Mas é cada vez maior o consenso entre historiadores e nações que o termo “genocídio” se aplica ao golodomor. Através de suas ações, Stálin mostra sua intenção de usar a fome para exterminar ucranianos enquanto entidade sócio-étnica.

A palavra golodomor veio da expressão ucraniana moryty gholodom, que significa “matar através da fome.

Brizola e as favelas

Sexta-feira, Novembro 26, 2010

Ocorreu um boom no processo de favelização no Rio de Janeiro na década de 80, principalmente durante o primeiro mandato de Leonel Brizola como governador (1983 – 1987), fato que o faz ser visto como um dos principais contribuintes para a situação atual das favelas cariocas.

Político de veia populista, é interpretado por uns como idealista ingênuo. Sua romantização do trabalhador não o teria permitido deslocar famílias das favelas. Pelo contrário, cedeu os espaços públicos em definitivo, determinando o fim das remoções, algo usual até então. Brizola, assim, acabou estimulando as ocupações irregulares. O fim das remoções permitiu também a gradual diminuição no número de barracos temporários de madeira, que foram substituídos pelas construções de alvenaria definitivas, mudando o perfil da favela.  Seus críticos argumentam que ele deveria ter investido em urbanização e moradias populares.

Na época de Brizola no governo do Rio de Janeiro, uma das principais reclamações por parte da comunidades carentes era a violência policial. Visando a proteção dos cidadãos e em detrimento do trabalho ostensivo, Brizola proibiu incursões de qualquer tipo dentro das favelas, o que acabou criando um estímulo a criminalidade. Essa ação ingênua por parte do então governador acabou criando um terreno fértil para conspirações. Em um escrito chamado “A Polícia na História do Brasil”, o autor Paulo Magalhães defende que Brizola proibiu a polícia de entrar nas favelas porque tinha um acordo com criminosos. Eles atuariam como cabos eleitorais em troca de autonomia para desenvolver suas atividades ilegais.

Apesar das teorias de conspiração, a maioria acredita que os erros de Brizola ocorreram pelo fato de que ele acreditava em ideais deveras oníricos. Errou por se manter fiel a essas crenças até o fim de sua vida, sem refletir se poderia estar se equivocando. Apesar da pressuposta culpa histórica, a imagem de Brizola, para a maioria, é de um político coerente.

Edward Bernays

Quarta-feira, Novembro 17, 2010

Considerado pela revista Life Magazine como uma das 100 pessoas mais influentes do século XX e sobrinho de Freud, Edward Bernays (1891 – 1995) é considerado o pai da ciência chamada Relações Públicas. Defendia idéias polêmicas como a noção de que a manipulação consciente e inteligente das idéias das massas era fundamental à democracia. Também foi o criador da propaganda moderna, que vende valores ao invés de funcionalidade.

A grande inovação de Bernays foi a introdução do apelo ao inconsciente em suas campanhas. Conhecedor das teorias de seu tio, que afirmavam que o homem é controlado por impulsos irracionais, Bernays desenvolveu técnicas de persuasão a partir desses impulsos. O consultor de relações públicas era a interface entre os desejos de seus clientes e a grande conjunto de instintos irracionais das massas.

Sempre esteve muito ligado ao governos dos EUA. Em 1917 foi contratado pelo então presidente Woodrow Wilson para criar uma campanha para influenciar os americanos a apoiar a entrada de seu país na primeira guerra mundial. Em seis meses um imenso repúdio ao povo alemão estava instalado na América. Bernays foi consultor da presidência dos EUA desde Calvin Coolidge (cujo mandato começou em 1923) até Dwight D. Eisenhower (presidente até 1961).

Seu feito mais famoso, e mais polêmico, porém, aconteceu na década de 20, na área da publicidade. A indústria do cigarro queria derrubar o tabu que na época não permitia que as mulheres fumasse em público. Bernays, baseado em Freud, percebeu que o cigarro é um símbolo fálico, e que idéias de poder, independência e liberdade vinha embutidos nele. O consultor percebeu que poderia fazer com que o cigarro fosse adotado pelas mulheres como um desafio ao poder masculino. Durante uma passeata em comemoração à páscoa, em Nova Iorque, modelos foram contratadas para fumar e fotógrafos para registrar o fumo. A expressão “tocha da liberdade” foi usada para designar o objeto mágico de libertação feminina.

A imagem da mulher que fuma e a da mulher forte e independente se confundem desde então. Bernays mostra, assim, seu poder de construir hábitos. Outras campanhas popularizaram, por exemplo, o bacon and eggs americano, o flúor na água, e os copos descartáveis.

Caso Panamericano

Sexta-feira, Novembro 12, 2010

O Banco Panamericano é o 21º maior banco do Brasil, com R$ 11,882 bilhões em ativos. O Banco e mais outras 33 empresas formam o Grupo Silvio Santos.

O BC detectou uma irregularidade expressiva na instituição, um rombo de R$ 2,5 bilhões, em outubro desse ano. O balanço patrimonial não expressava a realidade do banco. Foram contabilizadas no balanço patrimonial carteiras de crédito que já haviam sido vendidas.

Carteiras de crédito são como pacotes. Visando receber o dinheiro do empréstimo com mais velocidade, o banco não esperava o cliente pagar todos as prestações, mas vendia o direito de receber (carteira de crédito) a bancos maiores. Nada de errado se não fosse o fato de que, no balanço do banco, aqueles empréstimos ainda continuassem nos ativos. É como se alguém vendesse um bem mas continuasse a dizer que era dele. Como os ativos, grosso modo, no balanço patrimonial, são visto como dinheiro que o banco tem (apesar de, no caso de um empréstimo, ainda não ter recebido), o Banco Panamericano não tinha o dinheiro que declarava ter.

Na vinheta que está sendo exibida no SBT é informado que foi feito um empréstimo junto ao FGC para cobrir o rombo. O prazo para pagamento é de dez anos e foram dados como garantia o SBT, o Baú da Felicidade e a Jequiti.

O Deus racional e necessário de Spinosa

Quinta-feira, Novembro 11, 2010

Descartes caiu em uma pequena contradição ao tentar determinar a natureza da Substância. Em sua obra Princípios de filosofia ele afirma que Substância é aquilo que não precisa apenas de si mesma para existir. Sendo Deus a única coisa que se encaixa nessa definição, nada além dele existe e entramos em um impasse. Descartes tentou solucionar o dilema afirmando que Substância também pode ser entendida como algo que necessita de si mesma e Deus para existir. Logo, a Substância precisa e não precisa apenas de si mesmo para existir. Descartes criou um paradigma. Spinosa visualizou uma realidade panteísta para solucionar o problema. Apenas Deus existe e ele é tudo.

Enquanto mestre racionalista, Spinosa nega o Deus antropomórfico e vislumbra o Deus que se manifesta através da necessidade racional. As relações que a realidade revela são expressões dessa necessidade. Assim como os teoremas de um triângulo procedem do próprio não podendo proceder de outra forma, assim a realidade procede de Deus.

Não existe a possibilidade de a Substância remeter a outra coisa senão ela mesma, então ela é causa de si mesma. A partir daí podemos extrair a determinação de Deus: ser causa. A realidade existe porque Deus precisa ser causa, mas sendo causa de si mesmo a realidade apenas pode existir se fizer parte de Deus. O mundo é uma conseqüência da determinação dele. Sendo a liberdade definida por Spinosa como ser e existir de acordo com a determinação, Deus é livre.

Protágoras de Abdera

Terça-feira, Novembro 9, 2010

Busto de Protágoras

 

Protágoras de Abdera foi o mais famoso dos sofistas e o que mais incorporou a mudança do foco da filosofia da physis para o homem. Seu princípio do homo mensura (o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são) não só foi importante na consolidação da arte da retórica, arte esta que seria a fonte do descrédito dos sofistas por muito tempo, mas cristalizou a idéia do relativismo. Numa interpretação mais ampla, Protágoras nos mostrou que a realidade passa pelo homem.

Segundo Protágoras, se uma pessoa, a uma determinada temperatura, sente calor, ela não pode afirma que uma segunda pessoa que diz estar sentindo frio é mentirosa, já que o critério para julga a realidade é o homem – mais ainda, o homem individual. Partindo de seu axioma principal, Protágoras afirmava ter se tornado mestre em argumentação, uma habilidade muito apreciada na Grécia do século IV. Como todos os argumentos são válidos, todos tem a mesma chance de se sobressair em uma discussão, logo, vencer um debate dependa da habilidade de quem debate.

O relativismo de Protágoras não era ilimitado. Dentro da realidade sociopolítica o sábio deve procurar praticar o útil, em detrimento do inútil. Esse fato mostra que o mestre não foi um amoral, revela que ele provavelmente acreditava na democracia enquanto exercício coletivo. Logo, todos os argumentos são válidos desde que se busque acrescentar algo.